sábado, 30 de junho de 2012

Alguns argumentos sobre quem menospreza a Bruxaria.


Detalhe de Hécate (Maximilian Pirner, 1901).
Na Antiguidade, Hécate era a patrona das
bruxas e da feitiçaria. Ao mesmo tempo em
que era deusa da noite, das trevas e do
submundo.

Que atire a primeira pedra, quem de nós, ao falar um pouco sobre as nossas crenças a respeito da Bruxaria - ou sequer sem falarmos nela, quando vieram até nós através de comentários e falações - nunca ouviu termos como "coisa do Diabo", "brincadeira de quem não tem o que fazer", "coisa de gente ignorante" e até o mais famoso: "macumba". 
Isso geralmente gera um sentimento de perseguição e vitimização: é a "Inquisição", as "fogueiras da ignorância", "perseguição medieval" e coisas do gênero. Eu particularmente tenho minhas reticências sobre esse sentimento, principalmente pelo fato de que, até onde sei, praticamente todas as sociedades ao longo da nossa civilização, sempre iremos encontrar vestígios ou arqueológicos ou mitológicos de crenças e práticas relacionadas a cultos feiticeiros. E em todas essas presenças, as práticas "bruxas" sempre foram relacionadas a algo proibido, marginal, periférico, oculto e noturno. Sempre paralelas ao culto oficial durante o dia, existiu a bruxaria durante a noite. Logo, esse "bullying" não é recente, mas algo natural. 
Também sou contra a essa campanha recente de "legalize a bruxaria já!". As práticas feiticeiras, como disse, sempre foram marginais e nunca serão pra maioria, pelo simples fato de que ela não serve para a maioria. E não funciona para a maioria. Diferente do paganismo: Que, por ser estar mais próximo a uma "religião" ou "espiritualidade" que a bruxaria em si, esse sim é algo para todos. Aliás, arrisco a dizer que se o mundo hoje precisa de uma espiritualidade renovada é essa a do paganismo com suas concepções de respeito à terra, respeito à vida e a diversidade etc. Mas com a Bruxaria não é assim. 
O Diabo batizando um homem bruxo 
(Compendium Maleficarum, 1601). 
Hoje historiadores percebem que os
acusados de bruxaria na Idade Média
que oravam ao Diabo, não faziam por
maldade: para o homem medieval,
o Diabo era um figura divina tal como
Deus. Se Deus não atendia, pediam ao
Diabo, que não representava
necessariamente uma figura do Mal.

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